domingo, 16 de novembro de 2008

Melancólicas enxaquecas

E tantos estudos já foram realizados
Mas nenhum deles responderam o motivo de minhas constantes
Dores de cabeça

Bom já que a ciência não responde
Será que meus sentidos e sentimentos não serão capazes
De descobrir essa icógnita?

Será pelo excesso de pensamentos
Excesso de sentimentos
Que invadem meus neurônios
A ponto de fazê-los doer?

Será que é pelo silêncio que se instala
Levando até o deserto meus pensamentos
Vivendo a solidão tão intensamente
Que minhas conexões neurológicas não conseguem evitar a dor?

Será que a raiva e a mágoa guardadas
Ao tentarem emergir
Traze consigo a dor contida em suas palavras?

Será que o medo
De não conseguir
De seguir
De ser
De não ser
Invevitavelmente leva a penúria da dor?

Será mesmo só tristeza?

E como eu queria que se transformasse em dor de cabeça de felicidade...

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Sinos Imaginários

Dizem por aí que sinos imaginários tocam quando conhecemos pessoas especiais, mas com a Menina não foi assim. Ela era esquisita e, como toda gente esquisita, ela reagia de forma esquisita. Pois bem, embora fosse dia de festa e o salão estivesse abarrotado de gente, ela permanecia quietinha num canto porque era esquisita e gente esquisita geralmente age assim em festas, como se fosse um patinho feio de penetra no banquete dos cisnes. Tudo corria dentro do previsto e ela encenava seu papel de esquisita com toda a convicção do mundo. De repente, a coisa desandou. O Menino a viu ali naquele canto com aquela cara de esquisita e, nem bem pegara em sua mão, já rodopiava pelo salão. Entre assustada e eufórica, ela foi deixando cair a mascára de esquisita nos braços do Menino. No dia seguinte, a cartela de Tylenol reluzia em cima da cabeceira. Não ouviu os tais sinos, nem badalos, nada de violinos ao fundo e nem sirene de âmbulância dando sinal de alerta. Estava tão encantada com o Menino que só o fato de lembrar que ele existia, a deixava com dor de cabeça. Ela era esquisita e, como toda gente esquisita, ela reagia de forma esquisita. Onde já se viu passar dias e dias com dor de cabeça de felicidade?

VIANA, Maíra. O Teatro Mágico em palavras. 3. ed. São Paulo: 2008.

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